O som de tiros é seco, estridente, forte… estremece a alma e parece que abala de um só momento o corpo. Conheço-o tão bem como se fosse a música que sempre me cantaram quando era pequenina. Fica gravado, a fogo, na nossa memória. Marca, a ferro, o nosso coração.
Ela corre para a janela. Lá em baixo, 8 andares abaixo, os táxis param, os autocarros também. As pessoas correm e não sabem muito bem para onde.
O som e o medo e as lágrimas.
Ela veste-se e corre…
Porquê assim???
Duas e meia da manhã… mais uma noite escura e quente. A ladeira, o paralelo cinzento, a subida íngreme, a respiração ofegante. Teimo em subir todas as noites a pé. Porque esta sempre foi a tradição, a minha tradição. Pensei muitas vezes nos sinais que o caminho me dava, se deveria voltar para trás, se este não era o dia de ir. Nunca virei costas a mais uma subida. A meio do caminho reconheço o som. O baile já está em grande e eu estou prestes a chegar…
“Boa noite tia!” O Max está sempre lá como alguém que espera por ela a noite inteira para depois dizer, “Bom dia! Como foi o baile hoje?”
Ela sorri, como todas as manhãs. Acaricia a cara dele e dá-lhe o beijo de boa noite das 7 da manhã.
“Boa noite meu amor. Dorme com os anjos…”
Nessa noite o Max chamou-a e ela não ouviu… Ele queria oferecer-lhe um presente.
Ela sabia que nunca mais o brilho do olhar seria o mesmo!
Ponho o cd no computador, gravo, tiro, escrevo. Ponho outro, gravo, tiro, escrevo. O interfone toca e o Ivan, o meu porteiro de meio ano, o nosso Ivan, fala com a mesma gentileza de sempre. Eu nem presto a devida atenção. Estou demasiado apressada e atrasada para me importar com o que me dizem. Esqueci-me de lhe dar um beijo de boa noite, mas como sempre… Boa noite Ivan! Depois a gente se fala. Ficam aí as minhas chaves!
“Oh … estão aqui uns molekes falando que são seus alunos. É prá você descer!”
“Fala que eu já vou…”
Atrapalhada sai de casa. Mochila às costas, uma micro saia, salto alto e o olhar brilhante.
Ao abrir a porta depara-se com a família que criou. “os garotos dela” como ela teima em dizer. Eles abraçam-na, sorriem, fazem mil e uma perguntas, dão beijos, fazem elogios, comentam a roupa e questionam o que vai dentro da mochila.
Hoje o caminho é diferente. Escadas, ruelas, vielas, lajes e ela chega! Com eles!
“Vão lá prá cima! Vou me arrumar!”
“Aaaaaahhhh! Vai logo… rápido…”
Eles estão ansiosos.
Ela sobe, mais radiante do que qualquer vestido a pode fazer.
Num momento entrega-lhe uma Nossa Senhora de Fátima que o irá proteger. Assim ela sabe que “os garotos dela” também estarão protegidos…
Está feliz. Muito feliz. Tudo está como ela planeou. Não precisa fazer nada porque o Key está sempre lá! O sorriso jamais foi tão grande mas o olhar… o olhar revela…
Começo a descer… Chegou ao fim mais uma noite! Mas esta é a última. Esta FOI a última e o sol já nasceu. Tudo termina um dia. A calçada continua cinzenta e piso-a com os meus pés descalços que já não aguentam os saltos…
Despeço-me, abraço-os com força.
Ela chora!
“Não se esqueçam de mim! Eu nunca me vou esquecer de vocês…”
“A gente se fala pelo msn ou pelo orkut. E daqui a pouco você já está aqui!”
Não foi um adeus, foi um até já. Preciso acreditar nisto para que nem todos os dias sejam de lembranças que repito para não esquecer pormenor algum. Fui feliz num Rio que dizem maravilhoso, numa cidade que eu fiz inesquecível.
Um dia voltarei, por isso… depois de um ponto final seguir-se-á um outro parágrafo.
(num sussurro escrito que teima em desfazer-me a alma em sorrisos)
“Eu sei que você nunca nos vai deixar sós!”
Ela corre para a janela. Lá em baixo, 8 andares abaixo, os táxis param, os autocarros também. As pessoas correm e não sabem muito bem para onde.
O som e o medo e as lágrimas.
Ela veste-se e corre…
Porquê assim???
Duas e meia da manhã… mais uma noite escura e quente. A ladeira, o paralelo cinzento, a subida íngreme, a respiração ofegante. Teimo em subir todas as noites a pé. Porque esta sempre foi a tradição, a minha tradição. Pensei muitas vezes nos sinais que o caminho me dava, se deveria voltar para trás, se este não era o dia de ir. Nunca virei costas a mais uma subida. A meio do caminho reconheço o som. O baile já está em grande e eu estou prestes a chegar…
“Boa noite tia!” O Max está sempre lá como alguém que espera por ela a noite inteira para depois dizer, “Bom dia! Como foi o baile hoje?”
Ela sorri, como todas as manhãs. Acaricia a cara dele e dá-lhe o beijo de boa noite das 7 da manhã.
“Boa noite meu amor. Dorme com os anjos…”
Nessa noite o Max chamou-a e ela não ouviu… Ele queria oferecer-lhe um presente.
Ela sabia que nunca mais o brilho do olhar seria o mesmo!
Ponho o cd no computador, gravo, tiro, escrevo. Ponho outro, gravo, tiro, escrevo. O interfone toca e o Ivan, o meu porteiro de meio ano, o nosso Ivan, fala com a mesma gentileza de sempre. Eu nem presto a devida atenção. Estou demasiado apressada e atrasada para me importar com o que me dizem. Esqueci-me de lhe dar um beijo de boa noite, mas como sempre… Boa noite Ivan! Depois a gente se fala. Ficam aí as minhas chaves!
“Oh … estão aqui uns molekes falando que são seus alunos. É prá você descer!”
“Fala que eu já vou…”
Atrapalhada sai de casa. Mochila às costas, uma micro saia, salto alto e o olhar brilhante.
Ao abrir a porta depara-se com a família que criou. “os garotos dela” como ela teima em dizer. Eles abraçam-na, sorriem, fazem mil e uma perguntas, dão beijos, fazem elogios, comentam a roupa e questionam o que vai dentro da mochila.
Hoje o caminho é diferente. Escadas, ruelas, vielas, lajes e ela chega! Com eles!
“Vão lá prá cima! Vou me arrumar!”
“Aaaaaahhhh! Vai logo… rápido…”
Eles estão ansiosos.
Ela sobe, mais radiante do que qualquer vestido a pode fazer.
Num momento entrega-lhe uma Nossa Senhora de Fátima que o irá proteger. Assim ela sabe que “os garotos dela” também estarão protegidos…
Está feliz. Muito feliz. Tudo está como ela planeou. Não precisa fazer nada porque o Key está sempre lá! O sorriso jamais foi tão grande mas o olhar… o olhar revela…
Começo a descer… Chegou ao fim mais uma noite! Mas esta é a última. Esta FOI a última e o sol já nasceu. Tudo termina um dia. A calçada continua cinzenta e piso-a com os meus pés descalços que já não aguentam os saltos…
Despeço-me, abraço-os com força.
Ela chora!
“Não se esqueçam de mim! Eu nunca me vou esquecer de vocês…”
“A gente se fala pelo msn ou pelo orkut. E daqui a pouco você já está aqui!”
Não foi um adeus, foi um até já. Preciso acreditar nisto para que nem todos os dias sejam de lembranças que repito para não esquecer pormenor algum. Fui feliz num Rio que dizem maravilhoso, numa cidade que eu fiz inesquecível.
Um dia voltarei, por isso… depois de um ponto final seguir-se-á um outro parágrafo.
(num sussurro escrito que teima em desfazer-me a alma em sorrisos)
“Eu sei que você nunca nos vai deixar sós!”




